Transformação na educação e no ensino, tecnologias e
mudanças no perfil dos alunos ampliam a atuação dos pedagogos dentro e fora da
sala de aula
Celebrado no Brasil nesta quarta-feira, 20 de maio, o Dia do
Pedagogo é uma data que convida à reflexão sobre uma das profissões mais
centrais e desafiadoras da educação. Em um contexto marcado por rápidas
transformações tecnológicas, mudanças no perfil dos estudantes e novas demandas
da sociedade, o papel do pedagogo tem se expandido significativamente,
ultrapassando os limites da sala de aula e assumindo uma função estratégica na
construção de experiências de aprendizagem mais significativas, humanas e conectadas
com o futuro.
O curso de Pedagogia foi instituído oficialmente no Brasil
em 4 de abril de 1939, através do Decreto-Lei nº 1.190. De acordo com o Censo
da Educação Superior de 2024, o curso de pedagogia era o que contava com mais
alunos matriculados em cursos de graduação: 878,7 mil estudantes buscando a
formação de pedagogo, de um universo total de 10 milhões de universitários
brasileiros.
O papel do pedagogo
Muito além da docência, o pedagogo ocupa hoje um papel
estruturante dentro das instituições de ensino. O profissional é responsável
por planejar, implementar e avaliar práticas educativas, atuando na organização
do currículo, formação de professores, acompanhamento do desenvolvimento dos
alunos e articulação entre escola e família.
“Mais do que transmitir conteúdos, esse profissional
participa ativamente da construção de ambientes de aprendizagem que promovem
autonomia, pensamento crítico e desenvolvimento integral. É ele quem organiza
intencionalmente os processos educativos, garantindo coerência entre proposta
pedagógica, práticas em sala de aula e objetivos de aprendizagem. É o pedagogo
quem ajuda a transformar diretrizes educacionais em práticas concretas, que
façam sentido para os estudantes”, afirma Audrey Taguti, pedagoga há 40 anos e
diretora pedagógica e geral do Brazilian International School – BIS, de São Paulo (SP).
Na opinião de Audrey, a complexidade do cotidiano escolar na
atualidade é um dos principais desafios do pedagogo. “Hoje lidamos com
múltiplas demandas ao mesmo tempo: desempenho acadêmico, desenvolvimento
socioemocional, uso consciente da tecnologia e inclusão. É um cenário que exige
preparo técnico, sensibilidade e equilíbrio emocional”, afirma.
Tecnologia, inteligência artificial e novas formas de
ensinar
A transformação digital tem redefinido o papel do pedagogo,
que passa a atuar também como mediador entre tecnologia e aprendizagem. Mais do
que incorporar ferramentas digitais, o desafio está em utilizá-las de forma
intencional e pedagógica.
Para Teca Antunes, pedagoga e diretora da Escola Bilíngue Aubrick,
de São Paulo (SP), a tecnologia deve ser vista como aliada do processo
educativo, e não como substituta. Nesse contexto, competências como pensamento
crítico, criatividade e capacidade de análise tornam-se ainda mais centrais,
tanto para alunos quanto para os educadores.
“O pedagogo tem um papel fundamental na curadoria de
conteúdos e na escolha de estratégias que realmente potencializem a
aprendizagem. Com a chegada da inteligência artificial, esse papel se torna
ainda mais estratégico, porque é preciso garantir sentido, ética e qualidade no
uso dessas ferramentas”, destaca Teca.
Questões socioemocionais também são desafiadoras
A necessidade de lidar com turmas cada vez mais diversas, e
responder às expectativas de pais, responsáveis e instituições também exige
constante atualização e alta capacidade de adaptação dos pedagogos.
“Além do desempenho acadêmico, o trabalho pedagógico envolve
o desenvolvimento de habilidades socioemocionais, como empatia, autonomia,
resiliência e responsabilidade, competências fundamentais para a formação de
cidadãos preparados para os desafios contemporâneos”, afirma Carla Litrenta,
pedagoga e educadora parental da Escola
Internacional de Alphaville - EIA, de Barueri (SP).
Outro aspecto cada vez mais central na atuação do pedagogo é
a relação com as famílias. Em um cenário em que questões emocionais,
comportamentais e sociais impactam diretamente o processo de aprendizagem, a
parceria entre escola e responsáveis torna-se fundamental.
“A aprendizagem não acontece de forma isolada. É preciso construir
um diálogo constante com as famílias, alinhando expectativas e estratégias para
apoiar o desenvolvimento dos estudantes de forma integral”, acrescenta Carla.
Atuação para além da escola
Embora tradicionalmente associado ao ambiente escolar, o campo
de atuação do pedagogo é amplo e diversificado. Hoje, esses profissionais
também estão presentes em empresas, organizações do terceiro setor, editoras,
plataformas educacionais e projetos sociais. Essa versatilidade contribui para
ampliar as possibilidades de carreira e reforça a relevância da profissão em
diferentes setores da sociedade.
De acordo com Lívia Martins, pedagoga e diretora pedagógica
das unidades do colégio Progresso Bilíngue, a formação em pedagogia oferece uma
base sólida para diferentes caminhos profissionais. “O pedagogo é,
essencialmente, um especialista em aprendizagem. Isso permite atuar em
contextos variados, como treinamento corporativo, desenvolvimento de materiais
didáticos e projetos de educação não formal”, explica.
Diante de tantas responsabilidades, a valorização do papel
do pedagogo e o investimento na formação contínua desses profissionais deixa de
ser um diferencial e passa a ser uma necessidade. “O pedagogo é peça-chave para
a construção de uma educação de qualidade. Reconhecer sua importância, oferecer
condições adequadas de trabalho e investir em desenvolvimento profissional são
passos essenciais para assegurar a transformação da educação, contribuindo para
a formação de indivíduos mais críticos, conscientes e preparados para o
futuro”, finaliza Lívia.
Os especialistas
Audrey Taguti acumula 41 anos de experiência e
trabalho em Educação. É formada em Magistério e Pedagogia, possui
pós-graduações em Psicopedagogia e Bilinguismo e é especialista em
Alfabetização. É diretora pedagógica do Brazilian International School – BIS,
de São Paulo/SP desde a fundação do colégio, em 2000.
Carla Litrenta Todaro é pedagoga, educadora
parental e pós-graduação em “Psicologia Positiva: Ciência do Bem-Estar e da
Autorrealização” e em “Bullying, Violência e Discriminação na Escola”. Iniciou
sua carreira há quase 30 anos como professora de alfabetização nas séries
iniciais, trilhando seu caminho no mundo da educação. Estudiosa das relações e
do desenvolvimento humano, atualmente é coordenadora de relacionamentos da
Escola Internacional de Alphaville.
Lívia Martins é pedagoga formada pela Unicamp,
com MBA em Gestão Escolar pela USP-Esalq e especializações nas áreas de
Tecnologia Educacional (USP-ICMC) e Neurociência e Psicologia Positiva
(PUC-PR), Lívia tem mais de 10 anos de experiência em sala de aula como
professora. Em 2015, iniciou sua trajetória na gestão, atuando em diferentes
papéis. É diretora pedagógica das unidades Progresso Bilíngue.
Teca Antunes é pedagoga, Mestre em Educação Especial e pós graduada nas áreas de Didática para Educação Bilíngue e Alfabetização. Tem experiência em sala de aula e na gestão de escolas bilíngues, além de atuar como formadora de professores em diversas áreas. Na Escola Bilíngue Aubrick, atua na direção pedagógica promovendo o alinhamento de práticas frente ao projeto pedagógico da instituição, acompanhando o desenvolvimento profissional dos colaboradores e buscando construir uma experiência de excelência e relevância para todos os estudantes.
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